O que é a reserva de emergência
Reserva de emergência é o dinheiro guardado para imprevistos: perda do emprego, um problema de saúde, o conserto do carro, uma despesa da casa que não estava nos planos. Ela evita que você recorra ao cheque especial ou ao rotativo do cartão, as linhas de crédito mais caras do país, justamente no pior momento.
A calculadora acima mostra o tamanho ideal da sua reserva e quanto tempo você leva para montá-la, com o valor que consegue guardar por mês e o rendimento da aplicação.
Quanto guardar: a regra dos meses de gastos
A reserva é medida em meses de gastos essenciais, e não em meses de salário. Entram moradia, contas da casa, alimentação, saúde, transporte e educação. Ficam de fora lazer, viagens e compras que podem esperar.
O número de meses depende da estabilidade da sua renda. A recomendação mais usada em educação financeira é:
- 3 meses: renda muito estável, como servidor público concursado ou aposentado.
- 6 meses: trabalhador com carteira assinada (CLT).
- 12 meses: autônomo, PJ, comissionado, empresário ou quem tem renda variável.
Não é uma regra legal, é um ponto de partida. Se você tem dependentes, é a única fonte de renda da casa ou trabalha num setor instável, vale guardar mais.
Como a calculadora faz a conta
A meta é o gasto mensal vezes o número de meses. Depois, a calculadora simula mês a mês: parte do que você já tem, acrescenta o depósito no início de cada mês e aplica o rendimento. O resultado é o número de meses até o saldo passar da meta, com uma tabela da evolução.
O campo de rendimento já vem com uma estimativa: 100% do CDI mais recente publicado pelo Banco Central, menos 17,5% de IR, que é a alíquota de quem resgata entre 361 e 720 dias (Lei 11.033/2004). Se a sua reserva está em outra aplicação, troque o valor pelo rendimento líquido dela.
Exemplo resolvido
Uma pessoa com carteira assinada gasta R$ 3.000,00 por mês com o essencial. Ela já tem R$ 2.000,00 guardados e consegue separar R$ 600,00 por mês, numa aplicação que rende 11,26% ao ano, já descontado o IR.
- Reserva ideal: 6 × R$ 3.000,00 = R$ 18.000,00.
- Falta juntar: R$ 16.000,00.
- Com os depósitos e o rendimento, ela chega lá em 2 anos (24 meses).
- No caminho, o total guardado chega a R$ 16.400,00 (contando os R$ 2.000,00 iniciais) e os rendimentos somam R$ 2.199,08.
Sem rendimento nenhum, só com os depósitos, ela precisaria de 27 meses. Os juros encurtam o caminho em três meses.
Onde guardar a reserva
A reserva precisa de três coisas: segurança, liquidez (resgate rápido, de preferência no mesmo dia) e rendimento ao menos parecido com a inflação. As opções mais usadas são:
- Tesouro Selic: título público, com resgate em qualquer dia útil e sem taxa de custódia até R$ 10 mil.
- CDB de liquidez diária: procure os que pagam 100% do CDI ou mais. Tem garantia do FGC até R$ 250 mil por CPF por instituição.
- Poupança: isenta de IR e muito simples, mas costuma render menos que as outras duas com a Selic alta.
Evite ações, fundos com prazo longo de resgate, LCI/LCA com vencimento distante e qualquer aplicação que possa valer menos no dia em que você precisar do dinheiro.
Dicas para montar mais rápido
- Automatize: programe a transferência para o dia em que o salário cai.
- Use dinheiro extra, como 13º salário, restituição do IR e férias, para dar saltos na reserva.
- Depois de usar, reponha a reserva antes de voltar a investir em outros objetivos.
- Revise a meta sempre que os seus gastos mudarem.
Os valores da calculadora são estimativas: o rendimento muda com o CDI, e o tempo real depende de você manter os depósitos.