Quanto custa de verdade uma compra em dólar
Quem compra em sites estrangeiros ou viaja para fora paga mais do que o preço multiplicado pela cotação do jornal. Entram na conta dois custos: o spread, que é a margem que o banco ou a casa de câmbio põe sobre a cotação comercial, e o IOF, o imposto sobre a operação de câmbio.
A calculadora acima soma tudo e compara as três formas mais comuns de pagar: cartão de crédito, conta global (conta em moeda estrangeira com cartão de débito) e papel-moeda comprado em casa de câmbio.
O IOF em 2026
As alíquotas do IOF sobre câmbio estão no art. 15-B do Decreto 6.306/2007, o regulamento do imposto. Desde o Decreto 12.499/2025, a alíquota é de 3,5% para:
- compras e saques no exterior com cartão de crédito e de débito
- cartões pré-pagos internacionais e cheques de viagem
- compra de moeda estrangeira em espécie
- envio de dinheiro para conta do próprio brasileiro no exterior, que é como funciona a recarga da conta global
O Congresso chegou a suspender o decreto, mas o STF restabeleceu a sua validade em julho de 2025, na ADC 96. Antes, cada modalidade tinha a sua alíquota, e o dinheiro em espécie pagava 1,1%. Agora, com o IOF igual para todas, o que diferencia uma forma de pagamento da outra é o spread.
A calculadora traz o IOF de 3,5% como padrão, num campo editável: se a alíquota mudar, basta trocar.
Quando o IOF é cobrado
No cartão de crédito, o IOF aparece na fatura junto com cada compra internacional. Na conta global, é cobrado no momento em que você converte os reais e envia o dinheiro para a conta. No papel-moeda, entra no valor pago à casa de câmbio. Em todos os casos, ele incide sobre o valor em reais da operação, já com o spread.
O spread de cada forma de pagamento
O spread varia muito entre instituições, e cada uma informa o seu na fatura, no aplicativo ou no site:
- Cartão de crédito: nos bancos tradicionais, costuma ficar entre 4% e 6% acima da cotação comercial. Alguns cartões cobram bem menos.
- Conta global: as contas digitais em dólar ou euro costumam ter spread menor que o do cartão de crédito.
- Papel-moeda: a casa de câmbio vende pela cotação turismo, que fica alguns pontos percentuais acima da comercial.
Os valores padrão da calculadora (4% no cartão, 1% na conta global e 4% no papel-moeda) são estimativas para começar. Troque pelos números da sua instituição para ter o custo real.
Como a conta é feita
- Cotação final = cotação comercial × (1 + spread)
- Valor em reais = valor da compra × cotação final
- IOF = valor em reais × 3,5%
- Total = valor em reais + IOF
Exemplo resolvido
Uma compra de US$ 1.000,00, com o dólar comercial a R$ 5,37:
| Forma de pagamento | Cotação final | IOF | Total |
|---|---|---|---|
| Cartão de crédito (spread de 4%) | R$ 5,5848 | R$ 195,47 | R$ 5.780,27 |
| Conta global (spread de 1%) | R$ 5,4237 | R$ 189,83 | R$ 5.613,53 |
| Papel-moeda (spread de 4%) | R$ 5,5848 | R$ 195,47 | R$ 5.780,27 |
Na cotação comercial pura, a compra sairia por R$ 5.370,00. No cartão, o custo total fica 7,64% acima disso. Na conta global, 4,54% acima, uma economia de R$ 166,74 nesse exemplo. Com o mesmo spread, cartão e papel-moeda custam igual, porque o IOF agora é o mesmo para os dois.
Dicas para pagar menos
- Compare o spread antes de viajar: é ele que faz a diferença entre as opções.
- Na maquininha do exterior, recuse a conversão para reais feita pela loja (a chamada conversão dinâmica). Ela costuma usar uma taxa pior que a do seu banco.
- Leve só o necessário em espécie: dinheiro tem risco de perda e roubo e, com o IOF igual, deixou de ser a opção mais barata.
- Em produtos comprados em sites estrangeiros, o imposto de importação e o ICMS são cobrados à parte e não entram nesta conta.