À vista com desconto ou parcelado sem juros?
Muitas lojas oferecem duas formas de pagar: um preço menor à vista ou o preço cheio em parcelas "sem juros". Quando existe desconto à vista, o parcelado tem juros, só que embutidos no preço. A pergunta certa é: o dinheiro aplicado rende mais que esses juros?
Desde a Lei 13.455/2017, o comércio pode cobrar preços diferentes conforme o prazo e o meio de pagamento, e precisa informar o desconto de forma visível. Por isso vale sempre perguntar o preço à vista.
Como usar a calculadora
- Preço parcelado: o preço cheio, sem desconto.
- Desconto à vista: o percentual oferecido no Pix, no dinheiro ou no débito.
- Parcelas e primeira parcela: em quantas vezes sem juros e se a primeira vence na compra ou em 30 dias, como no cartão de crédito.
- Rendimento e imposto: quanto o dinheiro renderia por mês e se a aplicação paga imposto de renda.
Como a calculadora decide
Ela faz duas contas. A primeira é a taxa de juros embutida: a taxa mensal que faz o preço à vista ser igual às parcelas trazidas a valor presente. A segunda simula o caminho do parcelado: você aplica o valor do à vista, paga cada parcela com um resgate e vê quanto sobra, ou quanto falta, no fim.
Se sobrar dinheiro, parcelar compensa. Se faltar, o desconto à vista vale mais. A tabela do resultado mostra mês a mês o rendimento, o resgate e o saldo aplicado.
O imposto de renda faz diferença
Poupança, LCI e LCA são isentas de imposto de renda para pessoa física. CDB, Tesouro Direto e fundos de renda fixa pagam IR sobre o rendimento pela tabela regressiva da Lei 11.033/2004:
| Tempo aplicado | Alíquota do IR |
|---|---|
| Até 180 dias | 22,5% |
| De 181 a 360 dias | 20% |
| De 361 a 720 dias | 17,5% |
| Acima de 720 dias | 15% |
Em compras de até 12 parcelas, quase todo o rendimento paga 22,5% ou 20%. Por isso um rendimento bruto um pouco acima dos juros embutidos pode não bastar. A calculadora desconta o IR de cada resgate conforme o tempo aplicado.
Na poupança, o rendimento é de 0,5% ao mês mais a TR sempre que a Selic estiver acima de 8,5% ao ano (Lei 8.177/1991, art. 12). Para outras aplicações, use a taxa mensal informada pelo banco ou pela corretora.
Exemplo resolvido
Produto de R$ 4.000,00: à vista com 5% de desconto, por R$ 3.800,00, ou em 10 parcelas de R$ 400,00 sem juros, a primeira em 30 dias. O dinheiro ficaria num CDB que rende 1,00% ao mês, com IR pela tabela regressiva.
- Juros embutidos: 0,94% ao mês, ou 11,93% ao ano.
- Aplicação: os R$ 3.800,00 rendem R$ 211,24 no período, mas os resgates pagam R$ 44,95 de imposto de renda.
- Resultado: no 10º mês faltariam R$ 33,71 para a última parcela. Pagar à vista compensa.
Repare: o rendimento bruto (1,00% ao mês) é maior que os juros embutidos (0,94%), mas o líquido, depois do IR, fica abaixo. Com o mesmo produto e só 3% de desconto, os juros embutidos caem para 0,56% ao mês e parcelar passa a valer a pena: sobram R$ 53,62 no fim.
Dicas
- Peça desconto à vista: mesmo quando ele não aparece, muitas lojas negociam no Pix ou no débito.
- Parcelar só funciona com disciplina: o dinheiro precisa ficar aplicado de verdade, e a fatura do cartão tem de ser paga inteira todo mês. Um mês no rotativo anula qualquer ganho.
- Sem desconto, parcele: se o preço é o mesmo à vista e a prazo, parcelar sem juros com o dinheiro rendendo sempre deixa sobra.
- Pense no orçamento: muitas parcelas ao mesmo tempo tiram a folga do mês, mesmo quando a conta é favorável.
- Pontos e cashback: se o cartão devolve uma parte da compra, some esse valor como desconto extra do parcelado.